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Clube Atlético Mineiro

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25.11.14 Grandes Ídolos

Mário de Castro, Jairo e Said: o Trio Maldito

Trio Maldito: Said, Jairo e Mairo de Castro,

Trio Maldito: Said, Jairo e Mairo de Castro,

Os dois primeiros eram estudantes de medicina. O terceiro frequentava a Faculdade de Direito e foi o principal responsável pela adesão da colônia árabe de Belo Horizonte ao Clube Atlético Mineiro. Enquanto atuaram juntos, Mário de Castro,Jairo de Assis Almeida e Said Paulo Arges estrelaram um dos mais formidáveis trios de ataque do período amador do futebol brasileiro. Para a imprensa e para os adversários, eram o Trio Maldito. Para a massa alvinegra, nunca houve linha tão bendita.

Mário de Castro

Quando chegou a Belo Horizonte, em 1925, Mário de Castro foi morar numa república de estudantes, na Rua dos Carijós, e logo procurou um time. Bateu primeiro à porta do América. Foi aceito sem problemas. Participou de alguns treinos e depois sumiu. Mandou dizer que estava adoentado e reapareceu dias depois, mas no campo do Atlético, do outro lado da avenida Paraopeba. No primeiro treino, o técnico Chico Neto o escalou entre os titulares. Só saiu do time quando resolveu voltar à sua terra natal.

Center-forward de nascença, Mário de Castro foi o primeiro jogador de um time mineiro a ser chamado para a Seleção Brasileira de futebol. O jogo de inauguração do estádio de Lourdes foi visto por um diretor da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), Horácio Werner, e por um representante da Associação dos Cronistas Desportivos do Rio de Janeiro, Alysio de Hollanda Távora. Os dois ficaram estupefados com o futebol do craque. Dias depois, Mário de Castro recebeu um comunicado. Ele deveria se apresentar no Rio de Janeiro para a integrar a Seleção. Seria o reserva de Carvalho Leite, atacante do Botafogo do Rio. “Respondi que só iria para ser titular”, diria, décadas depois o atacante atleticano. E, assim, o Atlético não teve representantes na primeira Copa do Mundo, a de 1930.

Depois do mundial, Mário teve a oportunidade de duelar com Carvalho Leite e mostrar qual dos dois era o melhor. Em 30 de agosto de 1930, o Atlético recebeu o Botafogo em Belo Horizonte. Venceu por 3 a 2 – e todos os gols dos alvinegro de Minas Gerais foram marcados por Mário de Castro. Na revanche, na festa de inauguração dos refletores do estádio do Botafogo, no Rio de Janeiro, em 1° de outubro do mesmo ano, o Botafogo deu o troco: 6 a 3. Carvalho Leite, que não marcara no confronto em Belo Horizonte, fez três. Mário de Castro, dois. No final, o artilheiro do Atlético venceu o duelo por 5 a 3. Estava provado: Mário era o melhor.

Em qualquer time que jogasse, Mário de Castro teria feito sucesso, Mas certamente não teria brilhado com tanta intensidade se não contasse com a sorte de jogar ao lado de Jairo e Said. Os dois eram craques superlativos.

Jairo

Jairo era natural de Muriaé, na Zona da Mata mineira. Assim como Mário de Castro, chegou a Belo Horizonte para estudar medicina. Acabou dividindo seu tempo entre a academia e o Atlético. Era o cérebro do trio, o homem que atraía a marcação e armava as jogadas. As notícias de suas façanhas em campo correram o Estado e, é evidente, repercutiram com força em sua terra natal.

Muriaé ficava mais próxima do Rio de Janeiro que de Belo Horizonte – e, naquela região, muitos se consideravam mais cariocas que mineiros. Em matéria de futebol, então, a influência do Rio é total. Vasco da Gama, Fluminense, Botafogo e outros times cariocas sempre tiveram na Zona da Mata mais admiradores que o Atlético, o América e as demais equipes de Belo Horizonte.

Esse quadro só foi atenuado em Muriaé na época de Jairo – assim como a dupla Guará e Nicola, dali a alguns anos, faria brotar uma fartura de atleticanos na vizinha cidade de Ubá. Testemunho de José Henriques Maia, atleticano de Muriaé.“Por causa de Jairo, me apaixonei pelo Atlético muito antes de ter visto o time jogar.”

Said

O meia-direito Said era quem demonstrava mais paixão pela bola. Por causa do futebol, prorrogou a permanência na Faculdade de Direito por muitos anos além do tempo regulamentar – deveria ter-se formado em 1932, mas só conseguiu o diploma em 1942. Said tinha uma personalidade interessante. Quem pela primeira vez deparava-se com seu cenho quase sempre franzido, ficava com a impressão de estar diante de um sujeito reservado, de poucos amigos. Bastavam cinco minutos de conversa para ele se revelar um tremendo boa-praça.

O pai era comerciante em São Paulo, e a mãe tinha uma loja em Congonhas do Campo. Said chegou a jogar bola pelo Esporte Clube Sírio, ao lado do irmão, Pedro. Chegou ao Atlético em 1926 e deu início ao forte caso de amor entre o alvinegro e a colônia árabe de Minas Gerais.

Os libaneses e os sírios começaram a aparecer com seus baús em lombos de mulas ainda no rastro dos operários recrutados pelo engenheiro Aarão Reis, no início da construção de Belo Horizonte – e encontraram campo fértil para o comércio. Com o tempo, alguns se estabeleceram como negociantes de tecidos e armarinho na avenida do Comércio – a atual Santos Dumont – e na rua dos Caetés.

Chegaram a fundar seu próprio time, o Sírio Horizontino, mas a presença de um patrício entre os ídolos atleticanos os fez sentirem-se tão à vontade nas arquibancadas de Lourdes quanto um beduíno sobre o camelo no meio do deserto. Dali a alguns anos, outro jogador de origem árabe, Chaffyr Ferreira, entraria no time e colocaria um pouco mais de tempero na ligação entre a colônia e o clube. Mas foi Said quem deu início a essa história.

Fonte: Galo Digital

Trio Maldito do Galo

Publicado 25 de novembro de 2014, às 20:21.